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Painéis e automação

Disjuntor desarmando sozinho: 8 causas e como descobrir o motivo

Disjuntor desarmando sem motivo aparente? Veja as 8 causas mais comuns em indústrias e prédios, como o tempo até o desarme indica a origem e o que nunca fazer.

Foto de Márcio BrandãoMárcio Brandão··9 min de leitura
Técnico da Novek medindo a corrente com alicate amperímetro na saída de um disjuntor dentro de um quadro de distribuição de baixa tensão industrial

Disjuntor que desarma "sem motivo" quase sempre tem motivo. Ele foi feito para abrir o circuito quando enxerga sobrecorrente, curto-circuito ou fuga à terra, e na maioria das vezes está fazendo exatamente isso. A exceção é o disjuntor com defeito ou mal escolhido, que também existe, mas é minoria. Religar várias vezes ou trocar por um disjuntor maior esconde a causa e transfere o risco para o cabo, o painel e as pessoas.

Este guia mostra como ler a forma do desarme, as 8 causas mais comuns em indústrias e prédios e o que verificar em cada caso.

Primeira pista: quanto tempo o disjuntor leva para desarmar

O disjuntor termomagnético tem duas proteções. A térmica reage a sobrecargas: quanto maior a corrente, mais rápido desarma, mas sempre com algum atraso. A magnética reage a curtos-circuitos e desarma instantaneamente quando a corrente passa de um múltiplo da nominal, que depende da curva do disjuntor (B: 3 a 5 vezes, C: 5 a 10 vezes, D: 10 a 20 vezes a corrente nominal).

Animação da curva tempo por corrente de um disjuntor curva C: com 1,5 vez a corrente nominal desarma em dezenas de minutos, com 3 vezes desarma em segundos e com 12 vezes desarma instantaneamente pela proteção magnética
Exemplo ilustrativo de curva C. Os tempos reais estão na curva do fabricante de cada disjuntor.
Como o disjuntor desarmaCausa mais provável
Depois de minutos ou horas de operação, mais em dias quentes ou em horário de picoSobrecarga, aquecimento do painel ou conexão frouxa
Instantaneamente, assim que religaCurto-circuito no circuito ou em uma carga
Na partida de um motor ou ao ligar uma máquina específicaCorrente de partida acima da curva do disjuntor
Com chuva, lavagem ou em horários de umidade alta (DR)Fuga à terra por isolamento úmido ou degradado
Sem padrão, com disjuntor quente ou cheiro de queimadoDisjuntor com defeito ou mau contato nos terminais
O geral desarma em vez do disjuntor do circuito com problemaFalta de seletividade entre as proteções

As 8 causas mais comuns

1. Sobrecarga

O circuito está puxando mais corrente que a nominal do disjuntor. É comum depois de ampliações: uma máquina nova, um ar-condicionado a mais, uma linha que passou a operar em dois turnos. Meça a corrente de cada fase com alicate amperímetro no horário de maior carga e compare com a corrente nominal do disjuntor e com a capacidade do cabo.

2. Curto-circuito

Desarme instantâneo ao religar indica curto, seja no cabo (isolamento danificado, cabo esmagado, roedor), seja em uma carga (motor, resistência, fonte). Não religue de novo antes de encontrar a causa: cada religamento sobre um curto desgasta o disjuntor e pode gerar arco. Desconecte as cargas e meça o isolamento do circuito com megômetro para localizar o defeito.

3. Fuga à terra (DR ou proteção de terra)

O dispositivo DR desarma quando parte da corrente volta pela terra em vez do condutor neutro. Umidade em tomadas externas, motores e luminárias, isolamento envelhecido ou neutro ligado à terra depois do DR são as causas típicas. Em painéis com muitos inversores de frequência e fontes, as pequenas fugas de cada filtro se somam e podem chegar ao limite do DR sem nenhum defeito. Nesse caso, a solução passa por dividir os circuitos e escolher o tipo de DR adequado para cargas eletrônicas.

4. Partida de motores

Motores de indução partem com corrente de 6 a 8 vezes a nominal. Um disjuntor curva B ou mal dimensionado vê essa corrente como curto e abre. Para motores, use disjuntor-motor ou disjuntor com curva adequada, ou reduza a corrente de partida com soft starter ou inversor. Se o desarme na partida começou de repente, sem mudança na instalação, investigue o motor e a carga: rolamento travado e enrolamento com defeito aumentam a corrente. O guia motor queimado: como testar mostra a sequência de testes.

5. Conexão frouxa e aquecimento

Um terminal mal apertado aquece, e a proteção térmica do disjuntor sente esse calor como se fosse sobrecarga. O mesmo acontece em painéis sem ventilação: os disjuntores termomagnéticos são calibrados para uma temperatura de referência e desarmam antes do esperado em ambiente quente. A termografia com o painel em carga encontra esses pontos sem desligar nada.

6. Disjuntor com defeito ou no fim da vida útil

Disjuntores têm vida útil mecânica e elétrica. Depois de interromper vários curtos-circuitos, os contatos e o mecanismo se desgastam e o disparo fica errático. Sinais: desarme com corrente medida bem abaixo da nominal, carcaça escurecida, alavanca que não trava ou terminais derretidos. A confirmação é feita com ensaio de injeção de corrente, que compara o tempo de disparo com a curva do fabricante.

7. Harmônicas

Inversores, fontes chaveadas, iluminação LED e retificadores geram correntes harmônicas que aumentam a corrente eficaz (RMS) e sobrecarregam o neutro. O alicate comum, que não mede o valor eficaz verdadeiro, mostra uma corrente menor que a real, e parece que o disjuntor desarma sem motivo. Meça com alicate true RMS ou analisador de energia, inclusive no neutro.

8. Ajuste e seletividade

Em quadros industriais, disjuntores em caixa moldada e abertos usam disparadores eletrônicos com ajustes de longo tempo, curto tempo, instantâneo e terra. Ajuste fora do estudo de seletividade faz o disjuntor geral abrir antes do disjuntor do circuito com defeito, e a planta inteira para por causa de um ramal. Os disparadores eletrônicos registram a função que atuou no último disparo, uma informação valiosa que muita gente não consulta.

E na média tensão?

Na subestação, quem manda o disjuntor abrir é o relé de proteção. O relé registra qual função atuou (sobrecorrente de fase, sobrecorrente de neutro, subtensão, entre outras), as correntes no momento do evento e, nos modelos digitais, a oscilografia. Antes de religar um disjuntor de média tensão que desarmou, leia esses registros: eles dizem se foi um defeito real na instalação, um ajuste inadequado ou uma falha do próprio relé ou do disjuntor. Veja teste de relé de proteção e manutenção de disjuntor de média tensão.

O que nunca fazer

  • Trocar por um disjuntor maior: o disjuntor protege o cabo. Com um disjuntor acima da capacidade do condutor, o cabo pode aquecer até danificar a isolação sem que nada desarme, e esse é um caminho comum para incêndio em painel.
  • Religar seguidamente: se desarmou na hora, há um defeito. Insistir pode causar arco e danificar o painel.
  • Desativar ou fazer ponte no DR: ele é a proteção contra choque elétrico nos circuitos onde a NBR 5410 exige.
  • Trocar o disjuntor sem medir: se a causa é a carga ou o cabo, o novo disjuntor vai desarmar do mesmo jeito.

Roteiro rápido de diagnóstico

  1. Anote quando e como desarma: horário, máquina ligada, clima, tempo até o desarme.
  2. Consulte o registro do disparador eletrônico ou do relé, quando houver.
  3. Meça a corrente das fases e do neutro com alicate true RMS no horário de maior carga.
  4. Faça termografia do painel em carga para encontrar conexões e disjuntores quentes.
  5. Com o circuito desligado e bloqueado, meça o isolamento dos cabos e das cargas.
  6. Se nada aparecer, teste o disjuntor por injeção de corrente.

Como a Novek pode ajudar

A Novek faz o diagnóstico de desarmes em painéis elétricos industriais e prediais: medições de corrente e harmônicas, termografia, ensaios de isolamento, teste de disjuntores por injeção de corrente e revisão de ajustes e seletividade. Na média tensão, fazemos manutenção de disjuntores e teste de relés de proteção, com relatório e ART.

Se o desarme está parando a sua produção, fale com a nossa equipe informando qual disjuntor desarma, com que frequência e o que estava ligado no momento.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre este tema

Por que o disjuntor desarma sozinho?

As causas mais comuns são sobrecarga, curto-circuito, fuga à terra, corrente de partida de motores, conexão frouxa ou painel quente, disjuntor com defeito, harmônicas e ajuste inadequado da proteção. O tempo até o desarme é a primeira pista: desarme instantâneo indica curto; desarme depois de minutos indica sobrecarga ou aquecimento.

Posso trocar o disjuntor por um maior para parar de desarmar?

Não. O disjuntor é dimensionado para proteger o cabo. Um disjuntor maior que a capacidade do condutor deixa o cabo aquecer sem desarmar, o que pode danificar a isolação e causar incêndio. A solução é corrigir a causa ou redimensionar o circuito inteiro.

Por que o disjuntor desarma na partida do motor?

O motor parte com corrente de 6 a 8 vezes a nominal. Se o disjuntor tem curva inadequada (como a curva B) ou está subdimensionado, ele interpreta a partida como curto. Use disjuntor-motor ou curva adequada, ou reduza a corrente com soft starter ou inversor. Se o problema começou de repente, verifique o motor e a carga.

Por que o DR desarma quando chove?

A umidade reduz o isolamento de tomadas externas, luminárias, motores e caixas de passagem, e parte da corrente passa a fugir para a terra. O DR detecta essa fuga e desarma. A solução é encontrar o ponto com isolamento comprometido, medindo os circuitos com megômetro, e corrigir a vedação.

Disjuntor velho desarma mais fácil?

Pode desarmar de forma errática depois de muitos anos ou de várias interrupções de curto-circuito, porque contatos e mecanismo se desgastam. O teste por injeção de corrente compara o tempo de disparo com a curva do fabricante e confirma se o disjuntor precisa ser trocado.

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