
Toda indústria atendida em média ou alta tensão tem uma subestação, e ela costuma ser de um de dois tipos: abrigada, com os equipamentos dentro de um recinto, ou ao tempo, com os equipamentos em um pátio externo cercado. A escolha aparece no projeto de uma planta nova ou na ampliação de potência, e muda o custo da obra, a segurança, a facilidade de crescer e a rotina de manutenção pelos próximos 30 anos.
O que é cada tipo
Na subestação abrigada, medição, proteção e transformação ficam dentro de um recinto, normalmente de alvenaria, dividido em compartimentos ou equipado com cubículos metálicos. É o formato mais comum das cabines primárias de 13,8 kV e 23 kV em indústrias e edifícios, como detalhamos em cabine primária: quando é obrigatória e quanto custa.
Na subestação ao tempo, os equipamentos são projetados para uso externo e montados em um pátio cercado: estruturas metálicas ou de concreto, isoladores, chaves seccionadoras, para-raios, disjuntores ou religadores externos e transformadores a óleo, sobre uma camada de brita. É o formato predominante em tensões de 34,5 kV, 69 kV e 138 kV e em potências maiores.
Comparação
| Critério | Abrigada | Ao tempo |
|---|---|---|
| Espaço ocupado | Menor, especialmente com cubículos metálicos | Maior, pelas distâncias de isolamento no ar |
| Obra civil | Recinto com ventilação, drenagem e divisórias | Bases, canaletas, brita e cerca |
| Faixa de tensão usual | Média tensão (13,8 kV a 34,5 kV) | Média e alta tensão (34,5 kV a 138 kV ou mais) |
| Exposição dos equipamentos | Protegidos de chuva, sol e parte da poluição | Expostos; os equipamentos são especificados para isso |
| Transformador a óleo | Exige medidas contra incêndio e coleta de óleo no recinto | Instalação natural, com bacia de contenção e afastamentos |
| Ampliação | Limitada pelo tamanho do recinto | Mais simples, se houver área reservada |
| Segurança de terceiros | Acesso controlado pela porta do recinto | Depende da cerca, da sinalização e do controle de acesso |
| Furto e vandalismo | Menor exposição | Maior exposição, principalmente de cabos de cobre |
Quando a abrigada faz mais sentido
- Fornecimento em 13,8 kV ou 23 kV, com potência de pequena a média.
- Pouco espaço disponível, ou subestação dentro de um edifício.
- Ambiente urbano, com circulação de pessoas próximas.
- Necessidade de proteger os equipamentos de poluição, maresia ou poeira, com o recinto bem vedado e ventilado.
Quando a ao tempo faz mais sentido
- Fornecimento em 34,5 kV ou mais, ou potência elevada.
- Área disponível e previsão de crescimento da carga.
- Transformadores a óleo de grande porte, que ficam mais simples e seguros ao ar livre.
- Plantas em área industrial ou rural, afastadas de áreas ocupadas.
Muitas indústrias combinam os dois: pátio ao tempo na entrada de alta tensão e transformação principal, e cubículos abrigados para a distribuição interna em média tensão.
Manutenção: rotinas diferentes para cada tipo
Os ensaios em transformadores, disjuntores e relés de proteção valem para os dois tipos. O que muda é o que está em volta deles.
Na subestação abrigada
- Ventilação e umidade: venezianas obstruídas e exaustores parados aquecem transformadores e favorecem condensação nos equipamentos.
- Vedação: ratos, lagartixas e insetos entram por canaletas e eletrodutos sem vedação e causam curtos. Infiltrações de água no teto e nas canaletas também.
- Limpeza: poeira acumulada sobre isoladores e barramentos reduz o isolamento.
- Iluminação, extintores e acessos: iluminação de emergência, extintores dentro da validade, tapetes isolantes, sinalização e porta trancada.
- Recinto usado como depósito: um problema comum e perigoso. A subestação não pode guardar materiais.
Na subestação ao tempo
- Isoladores: poluição industrial, poeira e maresia formam uma camada condutiva que provoca descargas superficiais. Em ambientes agressivos, a lavagem ou limpeza periódica entra no plano.
- Corrosão: estruturas, ferragens, conectores e cerca precisam de inspeção e tratamento. Conector corroído aquece, e a termografia mostra.
- Brita e vegetação: a camada de brita faz parte da segurança contra tensões de passo e de toque, prevista no projeto da malha de aterramento (ABNT NBR 15751). Vegetação crescendo e brita misturada com terra reduzem essa proteção.
- Malha de aterramento e cerca: conexões da malha, aterramento da cerca e dos portões e integridade da cerca e da sinalização.
- Animais e ninhos: pássaros e ninhos em estruturas e barramentos causam desligamentos.
Ponto em comum: nos dois tipos, a termografia com a subestação em carga é a forma mais rápida de achar conexões aquecidas sem desligar nada, e os ensaios com desligamento devem ser concentrados na parada programada.
Segurança: o que vale para as duas
Subestação é área de acesso restrito a profissionais autorizados, conforme a NR-10. Isso significa porta ou portão trancado, sinalização de risco elétrico, procedimentos de manobra escritos e diagrama unifilar atualizado. O prontuário das instalações elétricas, exigido pela NR-10 para estabelecimentos com carga instalada acima de 75 kW, deve incluir a documentação da subestação.
Como a Novek pode ajudar
A Novek faz manutenção de subestações abrigadas e ao tempo em indústrias: inspeção e termografia, limpeza, reaperto, ensaios em transformadores, disjuntores e relés, verificação do aterramento e relatório com ART. Também avaliamos subestações existentes antes de ampliações de carga.
Para começar, fale com a nossa equipe informando a tensão de entrada, o tipo de subestação, a potência instalada e a data da última manutenção. Se quer entender o que define o preço, veja quanto custa a manutenção de subestação.
Perguntas frequentes
Dúvidas comuns sobre este tema
Qual a diferença entre subestação abrigada e ao tempo?
Na subestação abrigada, os equipamentos ficam dentro de um recinto, normalmente de alvenaria ou em cubículos metálicos. Na subestação ao tempo, os equipamentos são próprios para uso externo e ficam em um pátio cercado, sobre brita. A abrigada ocupa menos espaço e protege os equipamentos; a ao tempo é mais comum em tensões e potências maiores e facilita ampliações.
Quando usar subestação ao tempo?
Normalmente em fornecimento de 34,5 kV ou mais, em potências elevadas, quando há área disponível e previsão de crescimento, e em plantas afastadas de áreas ocupadas. Também facilita a instalação de transformadores a óleo de grande porte.
Para que serve a brita na subestação?
A camada de brita aumenta a resistência elétrica da superfície do solo e reduz as tensões de passo e de toque a que uma pessoa fica exposta durante um defeito. Ela faz parte do projeto da malha de aterramento e precisa ser mantida limpa, sem vegetação e sem mistura com terra.
Subestação ao tempo precisa de mais manutenção?
Não necessariamente mais, mas diferente. Ela exige atenção a isoladores sujos, corrosão, brita, vegetação, cerca e animais. A abrigada exige atenção a ventilação, umidade, vedação contra animais e limpeza do recinto. Os ensaios dos equipamentos são os mesmos.
Pode guardar materiais dentro da subestação abrigada?
Não. O recinto da subestação deve ficar livre, com acesso restrito a profissionais autorizados. Materiais armazenados dificultam a circulação e as manobras, aumentam o risco de incêndio e podem provocar acidentes.
Material gratuitoChecklist de manutenção de subestação em PDFInspeção, transformador, disjuntores, relés, aterramento e documentação NR-10 em 3 páginas para imprimir. Baixar o checklist Explore também


